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Rosa Affair

Rosa Affair

Mensagem à minha filha de dois anos

Filha,

 

Sei que te consideras crescida, mas nem por isso posso tirar os olhos de ti. Estás na idade de correr e descobrir o mundo lá fora. A nossa casa deixou de ser o teu mundo perfeito. Agora queres mais. Sei que continuas a gostar, que ficas com saudades quando regressas, mas agora queres voar mais alto. Sabes que lá fora há tanta coisa para descobrir, para brincar e para rir.

 

Podes ir, podes correr, podes descobrir, mas por enquanto, a mãe vai lá estar, de olhos postos em ti, porque ainda não percebes o perigo, não percebes que mais à frente podes cair, que te distrais e te perdes com facilidade. A mãe está lá, a observar-te, não para te proibir, mas para te amparar.

 

Ainda não és criança de metro e já queres colocar o copo em cima da bancada. Ainda não és criança de metro e já queres sentar-te numa cadeira de adulto. Ainda não és criança de metro e já queres sair da cama pelo teu próprio pé. Tens tanta pressa de crescer e a mamã tão pouca vontade que isso aconteça. Ainda assim a mãe sabe que o tempo não para e que não conseguirei impedir que deixes de ser bebé. A minha bebé. Por isso, eu deixo. Deixo que faças quando sei que consegues, deixo que faças, mesmo que te ajude sem te aperceberes, deixo que faças após te explicar inúmeras vezes como fazer. Por vezes aceitas, por vezes não. Mas a mamã tem toda a paciência do mundo. Mesmo que não aceites, um dia irás entender que afinal tudo o que a mamã explicou faz sentido.

 

Filha, não tenhas pressa. Um dia irás aperceber-te que é tão bom ser criança.  

 

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Imagem Pinterest

Que venham os dois anos

Dois anos de nós e tu estão quase a chegar. Não estava à espera que o tempo passasse tão rápido. Na realidade não foi o tempo, o tempo sempre teve o mesmo ritmo. Foste tu! Como é que aquela bebé tão pequenina, está agora uma menina que corre, pula, canta, salta, brinca, ri e que tem uma energia tão grande, que nem sempre é fácil de acompanhar? Cresceste tão depressa, que nem consegui perceber o momento exato em que deixaste de ser bebé e passaste a ser uma menina que já consegue comunicar comigo e com todos. Tens uma personalidade forte, mas continuas a não gostar de colo. Tenho que te confessar uma coisa. Quando queres alguma coisa, a mamã às vezes faz uma pequena chantagem, para que só obtenhas aquilo que queres, se te sentares ao meu colo. É o pequeno preço que pagas, para mimar este coração de mãe e tentar minimizar o meu pequenino desgosto de ter uma filha-que-não-gosta-do-colo-da-mãe. Desafias-me o tempo todo. Mas eu continuo a manter a calma e tento perceber as tuas frustrações, que por acaso são bastantes. Sempre o foram, tu sabes. Contudo e mais uns dias já cantas os parabéns a ti própria e já apagas as velas. Que venham os 24 meses, ou melhor, os dois anos, pois já deixei de contar meses há muito tempo.

Ainda somos tu e eu

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Quando recordo como era dantes, penso que agora é bem melhor.

Sem ti não há sentido.

 

Prefiro agora.

Acordo e estás aqui comigo. Chego e corres para mim. Saio e choras por mim. Ainda somos tu e eu. Ainda és a minha bebé e eu a tua mamã. Ainda sou a pessoa mais importante para ti e tu serás sempre a mais importante para mim. É bom senti-lo. Espero que assim seja por muitos e bons anos.

 

Prefiro agora, quando foges e eu corro para não te magoares. Quando só fazes o que eu faço, quando me imitas, quando queres o que eu como, quando me abraças, quando te sentas ao meu lado e quando chamas por mim.

 

Prefiro agora.

Quando ris e quando choras, quando te ensino e quando aprendes, quando falo e quando repetes, quando vês e quando danças, quando ouves e quando cantas. Prefiro agora. Contigo sou bem melhor. Contigo posso tudo. Contigo sou feliz.

 

Minha querida filha.

Imagem Pinterest

It's hurting again...

Filha,

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A partir de hoje, as nossas saídas a duas serão sempre acompanhadas pelo teu carrinho de bebé. Esta regra foi prolongada até atingires os teus seis anos idade e até ao dia em que entrares na escola primária, porque até lá não estou a ver como vamos resolver esta questão. Eu até sou daquelas mães que apela ao bom senso, que diz para respirar fundo, que pensa que bater não resolve, que diz que gritar só assusta, mas hoje, eu respirei, eu apelei, eu pensei e eu falei e não consegui resolver nada. Ouvi-te, gritavas bem alto, mimei-te, dei-te colo e tu compensaste-me com a tua mão bem pesada vezes sem conta, como se eu fosse uma qualquer e não tivesse qualquer autoridade de mãe sobre ti. Falei contigo e tu ignoraste-me, quase que perdi as estribeiras. Todos os meus princípios "quase" que foram por água abaixo. Fizeste-me vir embora, fizeste-me colocar-te à força na cadeira do carro e só aí acalmaste. Sentei-me. Ouvi a tua respiração ainda acompanhada de uma grande fúria a acalmar, assim que colocaste o dedo na boca. Encostei-me ao banco, respirei fundo outra vez e uma pequena lágrima correu pela minha face direita. Às vezes não sei o que te faça. Hurts sometimes...

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