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Rosa Affair

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Culpa pós dentista!

Acordei bem-disposta. Desliguei o despertador e pelo canto do olho reparo que no calendário do meu telemóvel aparece a palavra dentista. Ainda li três vezes para ver se não era ginecologista ou oftalmologista. Mas não! Era dentista… E dentista no meu dicionário significa “médico que por mais bonito que seja, é desprezível ao ponto de ser necessário fugir dele a sete pés e arranjar desculpas para nunca colocar os pés no seu consultório”.

Comecei logo numa culpa desgraçada que me pôs mal disposta o resto do dia. Ainda há dois dias o mês passado tive que lá ir arrancar o dento do siso e feita parva marquei logo outra consulta, que nem deu tempo para me curar do trauma que passei!

Passei a manhã a tentar arranjar uma desculpa para não ir lá… Não encontrei nenhuma! Já me tinha passado isto da ideia e vai que recebo um sms para confirmar a consulta. Era a desculpa perfeita. Não respondo já ao sms e sei que nunca mais me vou lembrar de responder (normalmente é que me acontece com os outros sms, não respondo logo e depois esqueço-me!). Mas não, nunca mais me esqueci da porcaria do sms. Vai, não vai, vai, não vai, escreve mensagem, apaga mensagem, lá confirmei o raio da consulta. Bahhhhaahh

Why-am-I-so-stupid.jpg

Passei a tarde a imaginar todos os cenários possíveis e imagináveis do que poderia acontecer para que eu tivesse uma desculpa para não por lá os pés.

- Pode ser que me chamem da creche.
- Pode ser que me liguem com um problema urgente do trabalho.
- Pode ser que a médica tenha uma dor de barriga por causa da feijoada que comeu ao almoço e que não consiga ir trabalhar.
- Pode ser que o meu marido tenha que ir a algum sítio urgente e eu tenha que ficar com a B. em casa.

Nada, não aconteceu nadinha.

No final do dia, ainda atulhada em trabalho, mas já me tinha passado a ideia da consulta, disse ao B. pelo skype que tinha de ficar mais um pouco a trabalhar para acabar o que tinha pendente. Vai que ele me responde, “Mas não tens dentista…” Ahhhh parvo, já me tinha esquecido!

Bom, não tive remédio nem desculpa, lá fui eu e cheguei uns cinco minutos mais cedo. Cheguei, sentei-me e comecei a imaginar que a médica estava atrasada com as consultas. Bastou um minuto para o meu cérebro elaborar logo um plano de fuga! Se chegasse às 19h15 e não estivesse a ser atendida, ia reclamar com a rececionista que se a consulta era às 19h, não era às 19h15 e punha-me a milhas… Nisto (19h em ponto) chega a rececionista ao pé de mim e diz “Pode entrar”. Pronto! Impressionante… Hoje nada corre como planeado. Lá vou eu ter me sujeitar a aspirações e brocas e anestesias e dor… Bahhhhaaaa

A coisa correu assim-assim…

Vim para casa bem, mas a pensar o quão o meu dia é miserável quando tenho de ir ao dentista. Ainda nem tava há 10 minutos em casa e parece que a anestesia já tava a deixar de fazer efeito. Miseravelmente fui à procura daqueles comprimidos fortes que tomei quando arranquei o dente do siso e tomei-o. Deitei-me no sofá como se tivesse a morrer até que o comprimido fizesse efeito.

Agora que tudo passou e o comprimido já atenuou a dor, sinto-me uma parva por nutrir estes sentimentos por uma profissão que nos salva de coisas bem piores do que meia dúzia de minutos de dor!

Dammit!

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