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Rosa Affair

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Há por aí mamãs de gémeos?

Às futuras mamãs de gémeos e às outras mamãs mais curiosas aqui fica um testemunho real do que é ser mãe de gémeos.

Sempre tive muita curiosidade acerca de uma gravidez gemelar. Hoje em dia acho que estas gravidezes estão mais simples e descomplicadas.

Não sei se foi por ter um filho (agora reparo mais nos bebés) que tenho a ideia que de há uns tempos para cá vejo muitos papás a passearem com os seus filhos gémeos. Penso que é fruto do tempo existirem mais gravidezes deste tipo. Talvez porque muitas são alvo de reprodução medicamente assistida onde são implantados mais do que um embrião no útero para terem mais hipótese de vingar.

Conheci uma mamã que passou primeiro por duas gravidezes normais e depois por uma de gémeos. Pedi-lhe uma pequena entrevista e ela aceitou com muito gosto. Aqui ficam as suas reações.


Alguma vez imaginou ou pôs a hipótese de ser mãe de gémeos?
Não, jamais imaginei essa hipótese. Não existe ninguém na família com filhos gémeos e portanto essa ideia nunca me tinha passado pela cabeça. Não fiz qualquer tipo de tratamento e por isso nada indicava que tal pudesse acontecer.

Qual foi a sua reação quando sobe que estava a carregar dois corações?
Soube que estava grávida de gémeos às 6 semanas na primeira ecografia endovaginal. Eu e a obstetra estávamos a observar a ecografia pelo ecrã, quando de repente ficámos a olhar uma para a outra até que a médica disse “são dois!” O meu primeiro pensamento foi "Gémeos!?! Bebés prematuros, Problemas!". No entanto, com o decorrer da entrevista vão verificar que estas minhas preocupações, não passaram mesmo disso, preocupações!

Foi uma gravidez de gémeos monozigóticos ou dizigóticos?
Dizigóticos o que significa que dois óvulos foram fecundados e geraram dois bebés em dois sacos amnióticos diferentes. Tive um menino (gémeo 1 ou da esquerda) e uma menina (gémeo 2 ou da direita). Foi com esta nomenclatura que os médicos distinguiram os meus bebés nas ecografias e mesmo durante o parto.

Como correu a sua gravidez? Na sua opinião, quais as principais diferenças entre uma gravidez gemelar e uma gravidez normal?
Correu dentro do normal, nada de grandes peripécias. Apenas temos um acompanhamento mais rigoroso, pois é uma gravidez de risco. A principal diferença em relação às outras gravidezes foi que fiz um exame extra, chamado amniocentese, pois numa das primeiras ecografias os valores do gémeo 2 estavam um pouco fora do vulgar. Na amniocentese apenas senti uma pequena pressão quando retiraram o líquido amniótico uma vez por cada bebé. A nível físico, achei mais cansativo, já que o volume e peso abdominal é maior.

Nasceram com quantas semanas?
Visto que o meu primeiro filho nasceu às 35 semanas, considero que o nascimento dos gémeos foi uma verdadeira conquista. Nasceram às 37 semanas e o parto aconteceu naturalmente, sendo que não precisou de ser provocado.

Fale-nos um pouco sobre o parto.
Foi parto normal. Tudo muito simples! O final de uma  gravidez gemelar é por volta das 37 semanas e por essa altura fui vista e estava com 4 cm de dilatação... Fui encaminhada para sala partos, onde me administraram ocitocina e tudo andou normalmente... mais rápido, já que era o terceiro parto. Desde os 4 cm de dilatação até os gémeos nascerem passaram seis horas. O gémeo 1 nasceu com 2,668 kg e o gémeo 2 com 2,234 kg.

Uma questão que muitas mães fazem. Sendo que os gémeos nasceram de parto normal, após o primeiro filho nascer, como se processa o nascimento do segundo?
Após o nascimento do primeiro gémeo, o segundo fica com um enorme espaço "vazio" que o faz descer no útero.... as contrações expulsivas começam de novo e como estamos monitorizadas, a equipa médica ajuda no momento das contrações e expulsão.

Qual foi a sensação quando nasceu o bebé 1? E o bebé 2? Vi-os logo? Ou não houve tempo para isso?
No primeiro pensei: "Um já está!" Ouvi-o chorar, mostraram-mo e disseram-me que estava tudo bem. Logo a seguir pesaram-no e ouvi o seu peso! Muito bom para um gémeo... Limparam-no e vestiram-no sempre ao pé de nós. Depois as contrações voltaram e tive de me concentrar no segundo... Lembro-me que o segundo tinha o cordão umbilical muito curto e assim que saiu de mim, deu-me um "puxão" no ventre!

Nos primeiros tempos, quais foram as maiores dificuldades que sentiu relacionadas com o facto de serem duas crianças?
Horários para a amamentação... não comiam à mesma hora, cada um tinha o seu horário e por isso, assim que eu começava a descansar, o segundo precisava de atenção.
Uma vez que despendia muito tempo com os gémeos foi difícil gerir o tempo para os meus outros dois filhos. Deixava os filhos mais velhos participar nas tarefas diárias como dar o leite, mudar a fralda e dar o banho, para poder passar o máximo de tempo com eles.

Como geriu as noites? Tinha ajuda?
De noite não tinha ajuda externa.... apenas o marido (maridão) a apoiar... sempre que podia dormir, mesmo durante o dia, dormia. Durante o dia, sempre que a minha mãe podia, vinha (e ainda vem) cá a casa ajudar.

Após o nascimento, no seu dia-a-dia, tomou algumas medidas que não tomaria se fosse apenas um bebé?
Sem dúvida! Evitávamos sair tantas vezes porque é difícil para uma família numerosa arranjar um espaço adequado a dois bebés e a duas crianças sem perturbar as outras pessoas. Outra medida que tomei foi deixar de fazer compras do dia-a-dia sozinha com os meus filhos... Nas férias é muito complicado arranjar um sítio que nos acolha a um preço acessível. Tivemos que adequar o nosso automóvel a uma família numerosa (mas neste momento já necessitamos de outro!) e ainda começámos a fazer uma gestão mais apertada do nosso orçamento familiar, pois assim que acabou a licença, que foi uma licença partilhada  de 5 meses + 1 mês, comecei a trabalhar e os meus filhos entraram no infantário.

E a mãe? Como foi a recuperação do pós-parto? Baby blues houve?
Baby blues? Oh sim, se houve! Especialmente devido à amamentação... Uma vez que tive de introduzir leite adaptado logo no início da amamentação, sentia-me triste e desgostosa por não conseguir amamentar como as outras mamãs. Ainda hoje sinto que uma das coisas mais difíceis foi não conseguir amamentar exclusivamente com o leite materno.
Em relação à recuperação, acho que ainda hoje não recuperei o que devia! Mas neste momento ainda faço uma alimentação especial para recuperar o volume abdominal extra que ganhei. Apesar de não ter ganho muito peso (cerca de 14 kg), considero que ganhei muito volume abdominal.

É verdade o que dizem, que apesar de haver trabalhos dobrados, a recompensa também é a duplicar?
Sim, sem dúvida!!! Adorava passar horas a olhar para eles em recém-nascidos a interagirem. Ainda hoje é muito gratificante ver as longas conversas que têm entre eles que eu não entendo. Gosto de descobrir as diferentes características que têm. Impressiona-me como são tão diferentes na sua personalidade, um mais autónomo e o outro mais perspicaz. Tiveram evoluções diferentes, começaram a andar e a gatinhar em tempos diferentes.

Tem algum conselho que gostaria de ter recebido quando soube que iria ser mãe de gémeos?
As pessoas dizem tanto que chegam a confundir-nos.... Aconselho às futuras mamãs a procurarem ajuda especializada se querem mesmo amentar os vosso bebés exclusivamente com leite materno. No meu caso, não houve estimulo nem grande incentivo por parte dos profissionais de saúde em relação à amamentação.
Uma outra questão é relacionada com o carro de passeio dos gémeos. Ponderem bem no carrinho de bebé que vão escolher. Na minha opinião é importante adquirir um carrinho em que ambos os assentos se inclinem para trás para os bebés poderem dormir.
Salvo aconselhamento médico, aconselho cada um a dormir na sua própria caminha durante a noite. Na minha opinião cada um tem a sua personalidade e têm tempos diferentes nos sonos, não dependendo um do outro para dormir.

Obrigada à mamã pelo seu testemunho.

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