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Rosa Affair

Rosa Affair

Para ti filha, agora irmã

Aviso: Este texto está cheio de hormonas pós-parto…

 

Filha,

Sempre quis que fossemos quatro, principalmente porque não conseguia imaginar o teu futuro sem irmãos e o meu sem outro bebé. Tu és o melhor de mim e eu queria vivenciá-lo outra vez. Os irmãos são o melhor do mundo e sempre quis dar-te a oportunidade de o teres. Quando soube que íamos ter um bebé fiquei feliz, não tive duvidas, era isto que eu queria, dar-te um irmão.

O depois logo se via, não quis sofrer por anticipação.

 

E a mana nasceu. E o depois chegou!

 

E eu fiquei cheia de culpa. O tempo que tinha que dedicar à mana não me deixava estar contigo, como sempre, minha filha. Agora tinha que o dividir. Apesar dos meus esforços, vi que também tu notaste que eu tinha menos tempo para brincar contigo. O pai esteve sempre connosco. Ainda assim, foram uns primeiros dias difíceis principalmente pela minha falta de disponibilidade e a constante culpa que me assombrava. Mas, entretanto, muito rapidamente até, começaste a interagir connosco. A culpa começou a desaparecer. Já queres estar com a mana. Vi que rapidamente começaste a gostar dela e a perceber os limites do que podes e não podes fazer. Os beijinhos que recusaste a dar no inicio são agora frequentes e espontâneos. Já sabes que ela é nossa e veio para ficar. Ainda continuas a ser a minha bebé, a primeira, aquela com que eu conheci o amor incondicional, mas agora sei que vai ficar tudo bem e que vai ser muito bom para ti e para nós.

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Imagem daqui

Quero isto e muito mais

Amo bebés. É isso mesmo, amo bebés. Este fim de semana estive com um bebé ao colo e fez-se click. Nem acredito que daqui a umas semanas vou ter provavelmente o que será o meu último bebé. E a fase de bebé passa tão rápido e eu quero lá estar o máximo possível. Sinto-me mais preparada, mais calma e espero que isso se reflita nesta pequena que não para quieta nem um segundo. Ao contrário do que aconteceu com a minha primeira filha, quero emocionar-me desde o primeiro minuto. Quero o meu marido ao meu lado, nem que seja para lhe apertar a mão com bastante força. Quero estar presente quando a minha filha vir a irmã pela primeira vez, quero registar o momento e explicar-lhe tudo com a maior das alegrias. Quero isto, quero muito mais e quero tudo a que tenho direito por ser provavelmente a última vez que vamos embarcar numa viagem tão emocionante.

 

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Imagem daqui

 

É simples gostar de um filho mais um bocadinho todos os dias

Por vezes a saudade bate-me com força. Olho para a minha filha e noto que ela consegue mudar de dia para dia. Olho para as fotos e apercebo-me que o cabelo dela cresceu tão depressa, que ainda no inicio deste ano não dava para atar e agora já chega ao meio das costas. Olho para os vídeos e vejo que ainda no Natal passado ela nem conseguia rasgar o papel das prendas e agora já fala como se de gente grande se tratasse. Corre tanto. Devora livros, desfolha-os, tenta compreendê-los, cola e descola autocolantes. Fala connosco. Faz frases, decora musicas, canta uma musica ouvindo apenas o som. Está grande. Pede-me mimos. Nunca foi muito dada a mimos. E agora sim. Adoro! Joga tanto à bola. É o seu passatempo preferido. Em muito é mãe, em muito é pai. É nossa. É simples gostar de um filho mais um bocadinho todos os dias.

 

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Imagem daqui

Mensagem à minha filha de dois anos

Filha,

 

Sei que te consideras crescida, mas nem por isso posso tirar os olhos de ti. Estás na idade de correr e descobrir o mundo lá fora. A nossa casa deixou de ser o teu mundo perfeito. Agora queres mais. Sei que continuas a gostar, que ficas com saudades quando regressas, mas agora queres voar mais alto. Sabes que lá fora há tanta coisa para descobrir, para brincar e para rir.

 

Podes ir, podes correr, podes descobrir, mas por enquanto, a mãe vai lá estar, de olhos postos em ti, porque ainda não percebes o perigo, não percebes que mais à frente podes cair, que te distrais e te perdes com facilidade. A mãe está lá, a observar-te, não para te proibir, mas para te amparar.

 

Ainda não és criança de metro e já queres colocar o copo em cima da bancada. Ainda não és criança de metro e já queres sentar-te numa cadeira de adulto. Ainda não és criança de metro e já queres sair da cama pelo teu próprio pé. Tens tanta pressa de crescer e a mamã tão pouca vontade que isso aconteça. Ainda assim a mãe sabe que o tempo não para e que não conseguirei impedir que deixes de ser bebé. A minha bebé. Por isso, eu deixo. Deixo que faças quando sei que consegues, deixo que faças, mesmo que te ajude sem te aperceberes, deixo que faças após te explicar inúmeras vezes como fazer. Por vezes aceitas, por vezes não. Mas a mamã tem toda a paciência do mundo. Mesmo que não aceites, um dia irás entender que afinal tudo o que a mamã explicou faz sentido.

 

Filha, não tenhas pressa. Um dia irás aperceber-te que é tão bom ser criança.  

 

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