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Rosa Affair

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Já não sei escrever!

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Eu sou muito virada para as tecnologias. Trabalho nelas, com elas e para elas. E cada vez que tenho que escrever em papel de forma séria começo a aborrecer-me. Já não tenho jeito, começo a comer as letras das palavras e após uma frase, já não há letra que se perceba. Juro que me fica a doer o braço. É triste dizer isto:

Eu já não sei escrever à mão!

Já não tenho calo, o braço já não está treinado e aborrece-me. A verdade é que perdi a paciência, perdi a habilidade e perdi a minha letra linda que me acompanhou durante uma vida inteira de estudos.

 

Mas, apesar de tudo o que disse, eu tenho um caderno de apontamentos. Diariamente escrevo nele, mas utilizo-o apenas para apontar um recado, uma lista, um número, para 'riscanhar' quando estou a pensar, para fazer um esquema, para explicar em desenho, mas nada que tenha que ser percetível a terceiros.

 

Depois vêm os formulários. Que flagelo. Cada vez que tenho que escrever a minha morada começo a 'panicar'. As vezes penso que quem os cria não deve dever muito à inteligência. Hoje ao preencher os formulários para inscrever as miúdas na escola, escrevi 10 vezes a mesma morada, 10 vezes o mesmo nome e 8 vezes o mesmo número de telemóvel. Ia a meio e já olhava para baixo para ver quantas mais vezes teria de escrever a morada. Quando acabei, olhei para o formulário e reparei que as letras de cima estão bonitas e percetíveis, ao meio as palavras estão meias escritas e em baixo mais parece letra de médico. Nunca consigo reproduzir a minha assinatura do cartão de cidadão simplesmente porque a assinatura é a última coisa a escrever e nessa altura já estou a escrever com 'fonte' de médico.

 

E eu, preocupada que sou com tudo e com todos, estou aqui a fazer serviço público e a pedir para os senhores que criam formulários tenham atenção à redundância. Melhor! peçam para preencher formulários online. Acaba-se o desperdício de papel, não há forma de não perceberem uma palavra, não há enganos a passar o formulário para a aplicação informática e somos todos mais felizes.

 

Obrigada!

Imagem daqui

Como é: fujo?

Era sexta-feira. Cabeça fresquinha acabada de acordar, mas ainda assim com um pouco de cansaço acumulado de uma semana de trabalho. Assim que acordo reparo que estou a ficar com fome e lembro-me que o meu estômago neste momento não pode esperar muito tempo. Fui ao frigorifico: leite, queijo, iogurtes e mais leite. Lembrei-me que nem pensar comer nada daquilo ao pequeno almoço. Tudo tinha lactose e era meio caminho andado para passar uma manhã ridícula e a passar mal no trabalho. Olho para a fruteira e estava vazia. Pensei em ir à padaria que fica a 2 minutos a pé de minha casa, mesmo ao lado da creche da miúda.

 

Vesti-me, calcei-me e pus um casaco bem quentinho e lá vou eu. Nesses dois minutos que demorei, comecei a pensar como raio ia resolver um problema no trabalho. Dois minutos que me pareceram uma hora, mas onde consegui por milagre obter uma solução (a cabeça fresquinha ajuda nisso, acontece-me frequentemente).

 

Quando cheguei ao destino, ainda a pensar naquilo, toquei à campainha. E caí em mim…

 

Mas o que é que eu estou a fazer? Ai, toquei à campainha! Não sei se estão a ver! Toquei à campainha da creche em vez de entrar na padaria. Começo a magicar um plano de fuga para me safar daquela situação. Primeiro lembrei-me em virar costas, entrar na padaria e deixar a educadora pensar que tinha sido uma brincadeira. Ainda tentei executá-lo. Mas assim que viro costas vejo o vizinho, que por acaso tem um filho na mesma creche, que estava no prédio a fumar na varanda, a olhar para mim. Raio, não posso fugir! Virei-me novamente para a porta e tentei encontrar palavras para me safar da situação! Posso dizer que a miúda está doente e não vem à escola… Mas que raio de coisa que estou a pensar! E como é que eu vou trabalhar?! Não houve tempo para mais, oiço a porta a abrir - Bom dia mãe… E com a cara mais estupida de sempre digo: - Quer-se rir? Vinha ao pão e na distração, enganei-me e toquei a campainha! Ao qual a educadora responde: - Pois, deixe lá é sexta-feira… E assim, lá fui à padaria, com a rabinho entre as pernas, com a sensação que a educadora ia chamar os serviços sociais por pensar que a minha filha tem uma mãe maluquinha…

 

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Imagem daqui

Quando é que aquilo salta?

Estava a fazer zapping e deparei-me com esta senhora (não faço ideia quem é). Reparei que a senhora estava a conversar com um jovem rapaz sobre o filho que ele ia ter com outra mulher, amiga desta, e questionei-me se alguém consegue ter uma conversa séria com alguém vestido assim. Juro que eu não consigo ficar a olhar para a cara desta senhora mais que 3 segundos, a minha vista só quer ver quando é que aquilo salta dali... E isto sou eu, pessoa casada e mãe de filhos.

 

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Eu sou das que têm frio...

Eu sou das que têm frio. Nasci no inverno, apenas com uma lareira para me aquecer e talvez tenha sido isso que me fez uma das pessoas mais friorentas que conheço. Isto faz-me achar que todos são como eu, deixando-me a fazer observações estranhas, coisas que me intrigam e que se calhar para o comum das pessoas são coisas normais.

No inverno, faz-me confusão entrar em casa e ter uma diferença de temperatura muito elevada. Começo a hiperventilar quando sinto o calor dos radiadores no meu nariz. Gosto de estar aconchegada e quentinha, mas para isso preciso de roupa. Uma blusita não é suficiente para me sentir bem. Um lençol não é suficiente para eu dormir. Um sofá sem uma mantinha não é suficiente para estar aconchegada no inverno a ver televisão…

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Vejo-me então numa influência pouco positiva para a minha filha em questões de temperatura e elaborei uma frase que é a sina deste tipo de mães:

 

Mãe friorenta, filha friorenta terás.

 

E ainda bem que as pessoas não são todas iguais. Existem aquelas que para mim são precisamente o meu oposto - as mães quentes. Seja inverno seja verão, uma blusinha por cima da pele é o suficiente. Basta um raio de sol e os miúdos já andam na rua com meias de meia perna e roupa de manga curta. Devem ter a casa regulada à temperatura dum clima tropical para conseguirem andar como se estivessem todo o ano em pleno verão. E eu, que mesmo numa manhã de sol, basta uma brisa fresquinha para me fazer arrepiar! E eu que apanhei uma pneumonia porque num dia em pleno inverno, o ar condicionado do escritório estava congelado e demorou umas quatro horas a aquecer o ambiente! E eu que já tive a miúda internada com uma bronquiolite e sabe-se lá quantas vezes já andou constipada ao ponto de ter que fazer máscaras regularmente. Já percebi que ser assim - mãe friorenta - não me livra destes males e talvez só os acentue.

 

Mas eu não consigo, a vida levou-me a ser uma mãe friorenta e sê-lo-ei para todo o sempre, nem que tenha que acordar todos os dias uma vez por noite para ver se a miúda não se destapou. Mas admiro-vos a vós, mães quentes deste país, que me irão dizer que são exatamente o meu oposto e que nunca vocês ou os vossos filhos tiveram uma pequena constipação por andarem um pouco mais descapotáveis do que a temperatura recomenda.

Imagem daqui

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